Faramir e Éowyn em O Senhor dos Anéis - O Retorno do Rei (2003)

Eu deveria estar escrevendo outras coisas neste momento, mas forças maiores fizeram com que eu viesse desabafar um pouco sobre um "fenômeno" que anda ocorrendo há bastante tempo entre leitores (as): o ataque aos romances com histórias de amor e clichês na ficção.

Antes de eu entrar na questão propriamente dita, devo lembrar que sim cada um tem o seu gosto seja para livro, cinema ou qualquer outra arte e que cada gênero possui o seu público específico, com gostos e sub-gêneros distintos em uma mesma cateogoria. O que eu pontuo aqui é algo que sempre me incomodou em resenhas, sejam em blogs por aí à fora, no Skoob, Goodreads ou outras redes sociais. São coisas que eu achava que eram algo da minha cabeça, mas depois de refletir vi que não, que é algo comum e padronizado em resenhas e que infelizmente, eu não concordo com tais posições.

O romance com casais centrais e histórias de amor sempre foram um gênero que esteve em alta e com um grande público. Não é surpresa encontrar títulos nas listas de mais vendidos tanto no Brasil quanto no exterior, provando o que todo mundo sabe: há leitores que gostam e compram livros desse segmento. 

Mas não é somente nos livros de romance que uma história de amor pode estar presente. Em um livro de aventura, suspense, sci-fi, terror, etc. às vezes você pode se deparar com um casal e uma história de amor, podendo ser um enredo secundário ou até mesmo um que se interligue à trama principal. 

Eu compreendo que muita gente não gosta quando isso acontece por vários motivos. Porém ter uma história de amor ou um casal inesperado se formando no meio de qualquer livro não é desmérito para nenhuma obra desde que seja bem feita - como eu sempre gosto de deixar claro nas minhas resenhas. A mesma coisa para o clichê, é legal e importante quando é bem usado e explorado pelo autor (a) e não há nada de errado nisso.

O que eu percebo é que sempre que existe um casal ou clichê em um livro de ficção, principalmente a fantasia, há um tratamento de torcer o nariz vindo de resenhistas que eu não consigo entender o por quê disso. Não sei se as pessoas não estão sendo muito claras na hora de escrever ou eu é quem não estou compreendendo a coisa toda, mas me incomoda muito que romance e o clichê são argumentos para se classificar um livro como bom ou ruim. 

Se o resenhista der boas razões para dizer que o livro é ruim por esses dois motivos, aí a história é outra. Contudo, não é o que acontece na maioria das resenhas dos blogs - e são muitas que eu já encontrei que não argumentam do por quê do romance e do clichê no livro X serem os pontos fracos. Eu já fui adepta dessa ideia, porém conforme o tempo foi passando e fui amadurecendo, percebi que é uma visão injusta e não há como você, seja como leitor ou escritor, fugir de fórmulas já existentes.

Já vi coisas do tipo "ah o livro tal é bom porque não tem romance e clichê". Hum espera, quer dizer que se um livro de fantasia tiver tais atributos é ruim? Qual é o problema se o autor resolver explorar uma subtrama (bem feita) de história de amor com os clichês típicos do gênero? Se é bem feito, bem estruturado e necessário, não é ruim, certo? Já aconteceu de eu me deparar com livros de fantasia com romance e clichê, mas que não foram felizes nisso (Tempest, por exemplo). 

Mas foram muitos os livros do gênero que eu peguei com histórias de amor maravilhosas, que se entrelaçam ao enredo principal e que me fizeram torcer, não só pelos personagens de forma separada, mas também pelo casal - Percy e Annabeth da série Percy Jackson e os Olimpianos é o melhor exemplo dessa situação. Poderia citar também Clare e Chris de Shada, Éowyn e Faramir em O Senhor dos Anéis, Katniss e Petra em Jogos Vorazes, dentre outros. 

Claro que a fantasia também é um gênero que passa por uma época que fica saturada - vulgo os romances vampirescos que surgiram depois de Crepúsculo - sub-gênero que a galera adora atacar, muitas vezes por modismo do que por ter uma opinião bem embasada. 

As histórias de amor e os clichês que as acompanham são universais. Sempre vai existir porque é de origem humana e o ser humano não é original boa parte do tempo. As rotinas do dia a dia e as situações que passamos no nosso cotidiano, por mais estranhas e incomuns que possam parecer, com certeza já aconteceu com outra pessoa em algum momento do tempo e da história - a não ser histórias de assombrações e de bêbado, que sempre são uma mais bizarra do que a outra haha. 

Somos únicos, ao mesmo tempo que não somos. Esse é o paradoxo da vida e como a vida imita a arte, a literatura, o cinema, a TV e o teatro sempre vão contar e recontar como o príncipe salvou a princesa do dragão cuspidor de fogo, como o mocinho acabou se apaixonando pela colega de trabalho durante uma investigação criminal, ou como a mocinha que sobrevive numa resistência totalitária se apaixonou pelo melhor amigo. 

Se a literatura e arte em si não refletirem o que há de mais humano e inerente em nós, como ela vai sobreviver? De quê? A originalidade é somente a forma como ela vem embalada, mas a essência é a mesma, repetida tantas vezes. Saindo do âmbito fantástico, quantos Romeus e Julietas já não morreram em todos esses séculos? Quantos Hamlets não precisaram tramar o assassinato do tio usurpador? Ainda sim, nunca nos cansamos desses arquétipos, por mais que para parecer mais cult dizemos o contrário. 

Ps: Antes que me acusem dizendo que Shakespeare não escreveu fantasia, leiam Sonho de uma Noite de Verão ;)





Já falei dos finais decepcionantes de alguns livros que já li, mas agora é hora de falar daqueles livros que têm os finais mais imprevisíveis e chocantes - aquele final que definitivamente eu não esperava. Foi difícil escolher somente cinco de tantos livros que me pegaram desprevinida. Mas aí vão eles:

Pode ter spoilers, leia por sua conta e risco!



5

Capitães da Areia 

Jorge Amado


Uma das obras mais famosas do baiano Jorge Amado, Capitães da Areia gruda na imaginação do leitor. O livro conta a história da vida difícil e quase animalesca de um grupo de meninos de rua na cidade de Salvador na década de 30, liderados por Pedro Bala. A história ganha um novo rumo com a chegada de Dora, e muitos dos meninos acabam mudando de vida pela boa influência da garota, menos Pedro Bala que a amou muito mais do que todos os outros garotos e movido pelo passado sua família, acaba virando um militante proletário.

O destino de todos os meninos, em especial Pedro Bala e o Professor, foram um das coisas que mais me surpreendeu em Capitães da Areia. Desde o começo o autor dá a entender de que a vida daqueles garotos não contém nenhum destino certo, apesar de todas as suas aspirações. Contudo, a morte de Dora já quase no fim história, é de fato o divisor de águas da narrativa e a retratação da morte da garota através dos olhos daqueles meninos brutos e sem esperança é muito comovente e considero o melhor de todo o livro.




4

O Estrangeiro

Albert Camus


Vencedor do Prêmio Nobel de 1957 e um escritor muito polêmico até hoje na França, Albert Camus foi um autor que tive pouco contato, se restringindo apenas na faculdade com o livro L'Étranger (O Estrangeiro). O livro conta a história de Mersault que comete um assassinato e precisa ser julgado, na até então colônia francesa Argélia. Antes do crime em si, Mersault comparece no funeral da mãe no qual não consegue expressar nenhum pesar. Sendo assim, o julgamento se concentra muito mais no fato do personagem não saber expressar emoção do que no assassinato. 

No fim, ele é condenado à morte, mas o que mais choca em O Estrangeiro é a indiferença do personagem às emoções humanas, o absurdo que o levou a cometer um terrível assassinato e alegria do mesmo em ser motivo de ódio para a sociedade. Na minha humildade opinião, o cara não passava de um psicopata bem doente e por isso, o quarto lugar!

3

O Médico e o Monstro

Robert Louis-Stevenson


Robert Louis-Stevenson não é somente famoso por A Ilha do Tesouro. Strange Case of Dr. Jekyll and Mr. Hyde de 1886 foi um marco para a literatura gótica e para o terror. Conta a história do advogado Gabriel Utterson que após ouvir um relato de seu parente sobre um homem estranho chamado Mr. Hyde, se preocupa pois seu cliente, o Dr. Jekyll, fez o assustador Mr. Hyde beneficiário de seu testamento. 

Acontecimentos estranhos passam a ocorrer envolvendo tanto o misterioso homem quanto o Dr. Jekyll, até que em uma noite, após o chamado do mordomo, Utterson invade o laboratório do médico e a verdade vem à tona: Dr. Jekyll e Mr. Hyde são a mesma pessoa! A causa da transformação diabólica do médico uma poção que não faz mais efeito, feita no intuito de controlar os impulsos sombrios de Dr. Jekyll, mas que deu muito errado e ele sabe que da próxima vez que virar Mr. Hyde, não terá mais volta. 

O relato feito pelo personagem Utterson e o meu horror quando descobri a verdade é uma sensação que talvez eu jamais tenha com outro livro. Foi um romance que li já faz muitos anos sem nunca ter ouvido falar da fama do mesmo, sendo assim a minha surpresa com o enredo foi enorme - e assustadora. Terceiro lugar!


2

O Retrato de Dorian Grey

Oscar Wilde


Continuando nos clássicos lidos na adolescência, The Picture of Dorian Grey também segue uma linha gótica do romance anterior tendo a publicação final em 1891. A história  se passa na era vitoriana e retrata a vida errônea e degradante de Dorian Grey, um belo rapaz que não envelhence após ser corrompido moralmente por Lord Henry, levando o jovem a dar cabo anos mais tarde da vida do pintor de seu próprio retrato, Basil Haward. 

Sem conseguir lidar com a própria consciência de seus delitos, vida de luxúria e pecados ao olhar para o próprio retrato cada vez mais assustador, dezoito anos depois o mesmo retrato horripilante de si mesmo atormenta Dorian, culminando na confissão de seus atos diante da obra e o horroroso suicídio do personagem, que no fim, morre feio, velho e decrépito, enquanto que o quadro volta à sua beleza original. 

Sem dúvidas, a forma como Dorian morre no fm é de cair o queixo para quem nunca ouviu a falar da história, sem mencionar que o quadro é quase um vilão no livro assim como o protagonista, mas que no fim, não passa apenas de uma vítima da corrupção de Dorian. Segundo lugar!


E o primeiro lugar vai para....







1

A Menina que Roubava Livros

Markus Zusak


Publicado em 2005, na minha humilde opinião da pessoa que vos escreve, The Book Thief foi um dos melhores livros da década de 2010 disparado. A narração feita pela personagem Morte já chama a atenção logo de cara, e durante a leitura você não sabe onde a história vai parar, até o autor te dar um belo de um tapa na cara já no clímax!

O livro conta a história de Liesel Meminger que encontra a Morte três vezes na Alemanha da Segunda Guerra Mundial. Durante uma viagem, ela rouba o livro O Manual do Coveiro após o enterro do seu irmão no caminho para a cidade de Milching, onde sua mãe a deixa aos cuidados do casal Hans e Rosa Hubermann. Entre roubos de livros e amizade com o menino Rudy e o judeu Max que se esconde na casa dos Hubermann, a guerra passa quase que despercebida assim como a Morte, até culminar no bombardeio que vai destruir toda a rua onde Liesel mora, sendo ela a única sobrevivente do ataque.

Acho que eu nunca chorei tanto na minha vida como aconteceu com esse livro - já nos capítulos da captura de Max pelos soldados nazistas eu já estava em prantos, com esse final então derramei um balde rs! Eu não tinha ideia de como a história iria terminar e eu não vi a tragédia chegando - Zusak foi mestre em esconder as pistas para realmente chocar os leitores. É um livro que eu pretendo reler no futuro com toda certeza. Merecido primeiro lugar!

Na nossa era pós duas grandes guerras e aparentemente um "período de paz" - se descontarmos ameaças de guerras aqui no Ocidente e as que já ocorrem no Oriente desde os anos 70 mais ou menos - é visível que o nosso estilo de vida é aconchegante se comparado com outras gerações. O aconchego gera o comodismo que leva a uma letargia e indiferença aos males do mundo.

Sendo assim, filmes como Até o Último Homem (2016) ambientados na Segunda Guerra Mundial durante a sangrenta batalha de Okinawa é um remédio para a nossa letargia moderna, assim como outros filmes do gênero como por exemplo Sniper Americano (2014). O longa conta a história, baseado em fatos reais, de Desmond Doss (Andrew Garfield) o filho mais novo de uma família com dois irmãos que resolve se alistar no Exército Americano durante a Campanha do Pacífico. Porém com uma particularidade que acarretará em muitos problemas para ele no futuro: ele não deseja utilizar armas.


Aos poucos durante o filme se apresenta as razões principais de Doss, sendo uma delas - razões religiosas e de consciência - que mais escandaliza os outros personagens e acredito que até mesmo alguns telespectadores. É difícil para o homem moderno e pós moderno aceitar que ainda existam pessoas que não abrem mão de suas fé mesmo nas situações mais extremas da vida. Enquanto que tudo está muito relativo e as pessoas mudam mais de convicções como que mudam de roupa, ter valores morais fincados na rocha é motivo de piada - e Doss sofre isto na pele, literalmente. 

O romance entre Doss e Dorothy Schutte (Teresa Palmer) alivia um pouco a tensão do filme virando um contraste grande com o sofrimento do personagem com na guerra e com a própria família, em especial seu pai um veterano da Primeira Guerra, Tom Doss (Hugo Weaving). No fim de contas, tanto Dorothy quanto Tom se unem em apoiar Doss no Exército.



Assim finaliza a primeira parte do filme, enquanto que a segunda nós vemos os horrores da guerra em si. A batalha de Okinawa também é retratada de forma magistral na minissérie The Pacific e ambos se concentraram em mostrar a crueldade do conflito, mas de forma diferente pelos seus formatos. O sentimento de derrota no exército americano antes de fato conquistar o monte Hacksaw Ridge é apaziguado pelo heroísmo de Doss, provando a máxima de que aquele que às vezes parece ser o mais fraco, pode ser o mais forte e valente de todos. 

Particularmente eu fiquei contente pelos ângulos de câmera terem sido bem administrados para se conseguir entender o que ocorria, sendo a pedra no sapato de diretores em filmes de guerra, mas percebe-se a experiência de Gibson na função. 

Não ter medo de sacrificar a própria vida em prol do outro parece ser um conceito ultrapassado, mas nunca antes se fez necessário como hoje. Até o Último Homem é um lembrete que sem a piedade nossa de cada dia, o mundo só tenderá a ficar muito pior do que já está. 

O filme no último domingo faturou duas estatuetas do Oscar em Mixagem de Som e Edição. 



Título: Hacksaw Ridge
Ano: 2016
Direção: Mel Gibson
Roteiro: Robert Schenkka e Andrew Knight
Gênero: Drama, Guerra
País: Austrália e EUA



Comecei o ano muito bem com as minhas leituras, mas sempre acontece de tudo acabar desandando e atrasando em algum momento do ano. E agradeço por ter sido logo agora no início do ano e não no final rs.

Com uma rotina nova, estou com um pouco de dificuldade de me organizar, não somente as leituras e o blog, como também minha vida intelectual, financeira e espiritual. Creio que como está tudo ainda muito recente, preciso de mais um pouquinho de tempo de estabelecer uma rotina que eu consiga atender a tudo. 

Estive pensando em comprar um mini planner que eu vi várias pessoas comentando, principalmente a Juliana do Nuvem Literária e que eu gostei muito da ideia - além de serem muito fofos né? Porém estou na dúvida se não compro apenas uma agenda bem bonita para me ajudar, pois vai depender do quanto poderei gastar nessa brincadeira, já que os mini planners são um pouquinho mais caros. Quando eu finalmente me decidir, até postarei aqui sobre. 

Com o feriado prolongado de Carnaval desejo pelo menos adiantar ao máximo os livros que comecei a ler no fim de janeiro, mas que não terminei ainda.

Coração de Tinta 

Cornelia Funke

Comprei a triologia Mundo de Tinta no meio do ano passado durante uma promoção da Saraiva e somente agora peguei o primeiro exemplar para ler. No entanto, estou achando a leitura muito penosa e arrastada, pois tenho a sensação incômoda que a história não sai do lugar - e olha que já passei da página cem! Estou começando a me sentir um pouco arrependida de ter comprado a trilogia inteira de uma vez já que eu não estou gostando tanto da história como pensei que gostaria. Porém quero pelo menos terminar o livro e ver se a história melhora e se vale a pena ler os outros dois volumes. Se não for o caso, infelizmente terei que vender os livros e comprar As Crônicas de Artur do Bernad Cornwell que eu deixei de levar na época por conta dessa trilogia...




Ser Cristão na Era Neopagã Vol. III

 Joseph Ratzinger (Bento XVI)

Ser Cristão... é um livro relativamente curto com diversas entrevistas de 1986 a 2003 com o Papa Emérito Bento XVI na época que ele ainda era cardeal da Congregação da Doutrina da Fé. Apesar de serem apenas entrevistas dependendo do tema, não são tão simples de assimilar e entender pela pessoa que vos escreve, pois sofro de uma deficiência teológica até vergonhosa, mas que desejo melhorar nesse quesito neste ano de 2017 se Deus quiser. Contudo, é fantástico como Bento XVI fala de assuntos até espinhosos para Igreja sem fugir ou pestanejar quando colocado contra a parede, sempre de forma caridosa e firme. Espero neste feriado pelo menos terminar este livro.





By Love Refined: Letters to a Young Bride

Alice von Hildebrand

By Love... foi um livro que iniciei no meio de fevereiro por curiosidade, mas que eu acabei gostando tanto da leitura por ser tão gostosa que pretendo pelo menos adiantá-lo ao máximo nesse feriado - melhor ainda se eu conseguir terminá-lo. Alice é uma filósofa e teóloga católica que com muita sabedoria e simplicidade, usa de duas personagens, Julie e Lily no qual esta última escreve cartas a amiga recém-casada com diversos conselhos e reflexões sobre o matrimônio, o cotidiano de recém-casados e os problemas que surgem na vida do conjugal. É nítido a experiência da autora no assunto, portanto seus conselhos são muito válidos - e este ano pretendo ler mais livros da autora. By Love... é melhor do qualquer postagem desses blogs dedicados ao cotidiano das mulheres, pode acreditar em mim ;)




Vamos ver o saldo depois do feriado, até lá boa sorte a todos que estão com leituras atradasas!

É tempo de crescer.

É tempo de deixar futilidades para trás e aperfeiçoar as coisas boas da infância e adolescência para que se tornem virtudes na vida adulta. 

É tempo de revisitar conceitos, de olhar para os lados, para cima e para baixo e continuar em frente, sem esquecer do legado do passado no qual errei e aprendi. 

É tempo de ter convicções mais firmes, de arriscar aprendizados novos que podem tanto me excitar, quanto me mortificar. 

É tempo de buscar novas amizades, amizaddes edificadoras e inspiradoras que me ajudem a melhorar como ser humano.

É tempo de olhar menos para mim mesma e aprender a olhar mais aqueles à minha volta e entender suas dores, medos e angústias.

É tempo de aceitar que o sofrimento é inevitável, que coisas ruins podem acontecer a qualquer pessoa e que devo estar preparada para tal.

É tempo de compreender que a morte é uma realidade palpável e que ela pode chegar sem avisar ou mandar um bilhete, mas que não devo temê-la.

É tempo de entender que assim como ganhei muitas coisas, também posso perdê-las tão rápido como um chuvisco de verão.

É tempo de não temer o futuro e deixar que este tome o seu curso natural das coisas.

É tempo de não ter medo de mudanças boas e desagradáveis, esperadas e inesperadas. 

É tempo de morrer.

É tempo de deixar o velho eu com minhas misérias perecer e não olhar para trás.

É tempo de renascer e começar tudo de novo em um ciclo sem fim.

É nesse tempo que entenderei o que é crescer. 

O ano começou devagar.

Meu objetivo era finalizar a história iniciada no NaNoWriMo 2016 antes do Natal ou Ano Novo, mas acabei adiando por algumas razões pessoais, porém a principal delas foi a dor de me despedir dos personagens tão rápido.

Depois de uma maratona de trinta dias, eu já estava muito apegada ao Lucas e a Vitória de tal forma que quando cheguei no último capítulo, eu senti muita tristeza ao pensar que a jornada deles terminaria ali. Claro que há ainda as inúmeras edições desse primeiro rascunho que eu precisarei fazer; várias coisas que terei que mudar nos primeiros capítulos, entre outros detalhes. Sinto também que o texto precisa amadurecer mais antes de eu arriscar publicá-lo em qualquer site - sendo assim os próximos meses serão dedicados para esta finalidade. 

Tenho lido bastante artigos sobre escrita, seja em português ou em inglês, tanto artigos destinados para escritores de primeira viagem como eu como aqueles cujo o público já é mais experiente na função. Um dos meus ensaístas e estudioso literário favoritos que eu descubri a pouco tempo é o Rodrigo Gurgel - seus textos são sempre lúcidos e cheio de dicas valiosas para qualquer escritor que deseja desenvolver seu próprio estilo com honestidade e observando os exemplos dos bons escritores do passado.

Algo importante, no entanto, aconteceu nessas últimas semanas que acarretou para que eu desse um tempo no livro: ganhei a confiança que eu necessitava diante do meu próprio romance, algo que estava muito abalada depois dos vários bloqueios criativos ano passado e dúvidas sobre estilo, direção e propósito da história. Nesta jornada que ainda não acabou, estou aprendendo e reaprendendo muitas coisas e por enquanto, já celebro como pequenas vitórias. 

Em novembro de 2016 quando comecei esta jornada, eu estava muito animada para publicar logo, mas agora estou mais pé no chão e reconheço a necessidade de uma lapidação profunda do rascunho. Ainda mantenho a decisão de não submeter a nenhuma editora, porque quero evitar dores de cabeça desnecessárias e nós blogueiros literários sabemos muito bem que autores iniciantes no mercado editorial brasileiro são sim desprezados, então para não perder meu tempo, prefiro usar as plataformas de auto-publicação. 

Não tenho previsões de quando essa fase de revisão vai terminar, porém assim que eu tiver alguma novidade, eu compartilharei aqui com toda a certeza, até lá preciso finalizar o último capítulo que está sendo um parto para sair... 

Como sou boazinha, deixo aqui um trecho da história que eu acho fofo:

A verdade era que ela não queria que aquele Lucas voltasse para o futuro de onde veio, porque onde quer que o Lucas do tempo atul estivesse, ele estava mais distante do que nunca dela - não somente um oceano inteiro. Contudo ainda tinha muitas coisas que gostaria de saber e com um sorriso travesso indagou:
- Se você veio do futuro, como você consegue provar para mim?
Lucas olhou de um lado para o outro como se ela fosse um alienígena.
- Como assim? - Lucas não escondeu o humor na voz -  Você quer os números da Mega-Sena desse ano ou algo do tipo?
Vitória riu feliz que ele estava disposto a manter a conversa amigável, apesar de tudo.
- Eu não sei, pode ser qualquer coisa interessante - Por exemplo, quem foi destaque na Paris Fashion Week para o meu desgosto por ver estilista que não merecia estar ali.
A expressão de Lucas estava tão engraçada, que Vitória riu mais ainda. 
- Hã... Acho que eu não sou bom nessa parte.
- Eu sei, bobo. Mas acabei de constar que você continua não entendendo nada do meu trabalho, então acho que essa é uma boa prova por enquanto. 
Foi a vez de Lucas rir pela sagacidade de Vitória. Por um segundo os dois sorrisos e olhos alegres se encontraram, crescendo uma candura maior do que eles poderiam traduzir em palavras. Foram segundos o suficiente para o coração de Vitória acelerar de novo.
- Bem, se você quer saber de trabalho, saiba que eu estou a ponto de formar um cirurgião com experiência. O programa já está acabando e logo vou poder concluir a pós.
- Saiba que eu já estou orgulhosa de você desde agora - ela sorriu com doçura - E espero que você crie coragem para me convidar... No futuro. 
Lucas acenou ainda aquele mesmo olhar esquisito de quando ela perguntou sobre como ele descobriu que tinha viajado no tempo, apenas aumentando as suspeitas da garota. 




Ah os musicais... É bem evidente que nas últimas décadas os palcos da Broadway dominaram espetáculos musicais - prova disso é o sucesso recente de Hamilton e a montagem de Les Misérables voltando ao Brasil este ano, depois de grande sucesso nos primeiros anos de apresentações. 

No entanto, Hollywood também possui um legado de ouro de filmes musicais que marcaram épocas como Singing in the Rain - 1952   Broadway Melody - 1929 e The Wizard of Oz - 1939 e os mais recentes Moulin Rouge - 2001 e Chicago - 2002  para citar alguns. La La Land resgata um pouco desse legado de forma bem carinhosa para os dias de hoje.

O filme conta a história de Mia (Emma Stone) uma jovem aspirante a atriz e barista e Sebastian (Ryam Gosling) um músico de jazz desempregado e sem dinheiro que se conhecem quase que por coincidências e acabam se apaixonando. Juntos o casal busca realizar seus mais tenros sonhos em Los Angeles, mas a vida nem sempre segue o curso que imaginamos.


O que encanta em La La Land é justamente a simplicidade da história que desde o começo não tem nenhum tipo de pretensão de ser "intelectual" ou "inovadora". A graça do filme é ver o desenrolar dos acontecimentos do casal protagonista nos nossos tempos no qual ambos se encaixariam em algum dos filmes citados, mas ao mesmo tempo sem perder o brilho de uma história de amor à lá os contos de fadas. 

Ultimamente, eu tenho dificuldade de assistir filmes recentes de Hollywood por essa vontade cansativa dos roteiristas em forçaram críticas a isso ou aquilo de forma pretensiosa e arrogante, enquanto que o entretenimento fica completamente de lado. Com o longa de Damien Chazelle - mesmo diretor de outro filme espetacular que também tem o jazz como tema, Whiplash - temos duas horas de escapismo da realidade com uma fotografia belíssima de uma Los Angeles de sonhadores, ajudada pelas paleta de cores vivas do filme, incluindo até os figurinos. 


O carisma dos personagens também é destaque e de fato, a química entre Stone e Gosling carrega o filme inteiro até a última cena. A trilha sonora é bem nostálgica, típica de filmes dos anos 40 e 50, e sem dúvidas, minha canção e momento favorito foram com A Lovely Night, cantada e dançada pelo casal protagonista. Há vários momentos bem surreias e mágicos durante o filme, lembrando até mesmo cenas de clássicos infantis da Disney o que não é nenhum desmérito, muito pelo contrário, sem mencionar as diversas referências aos filmes clássicos do gênero. 

Com o sucesso de La La Land, que recebeu 14 indicações ao Oscar deste ano e está com ótima bilheteria, é visível que o público em geral gosta de filmes dessa simplicidade e magia, sem exageros e "forçação de barra" com diversos temas. É um respiro de alívio bem vindo de uma Hollywood que ainda se recorda da sua era de ouro esquecida, e mostra que o cinema ainda tem o poder de encantar e emocionar. 



Título: La La Land 
Ano: 2016
Direção: Damien Chazelle
Roteiro: Damien Chazelle
Gênero: Musical, Drama, Comédia
País: EUA