Resenha: "A Cidade e as Serras" - Eça de Queiroz

By 21:48


O romance que marca a terceira fase da produção literária do escritor português, Eça de Queiroz, é uma modernização do estilo árcade lusitano.

Explicando melhor para quem não está lembrado das aulas de Literatura, o estilo Arcadista do século XVIII, muito antes do citado autor, faz uma exaltação da natureza, juntamente com a teoria do "bom selvagem" de Rousseau, ou seja, o homem é corrompido pela sociedade, ao contrário daquele que não possui nenhum contato com ela.

Eu sei que explicações para os estilos literários não é lá muito interessante, mas é necessário para a compreensão do que o referido autor ou qualquer outro deseja passar com seu romance. 

Só esclarecendo, Eça de Queiroz participou do movimento Realista, aquele que tem como ideologia o uso da razão e da ciência como forma de chegar a verdade. Porém, em "As Cidades e as Serras", o autor vai acabar por descrer, devido a uma crise intelectual, a ciência e o progresso.

Por isso o nome que leva o título do livro, é um verdadeiro antagonismo de ideias: Eça faz uma crítica destrinchada do progresso científico e urbano, representado por Paris, à base da miséria de muitos. Paris é descrita não como algo abstrato, mas sim com algum tipo de vida própria, em meio a mesmice e a hipocrisia ao qual o protagonista Jacinto, rico e nobre, vive. 

Este sofre pelo tédio, ou como diria o personagem Grilo "de fartura", sendo que todo o dinheiro e tecnologia não preenchiam o vazio em seu coração, mesmo dizendo da boca para fora que detestava o campo.

Ao contrário de Jacinto, seu melhor amigo José Fernandes, amante das serras portuguesas, visitando Paris, mesmo com todos os desgostos que passa na civilização, tenta convencer Jacinto a voltar para Portugal, terra natal, para além de resolver negócios, mudar de vida.

A partir daí, a narrativa ganha toda a beleza lírica das descrições das serras portuguesas e da cura de Jacinto do parisianismo, tornando a leitura prazeirosa  e bela.

O mais interessante é bem no finalzinho, quando depois de algum tempo, José Fernandes volta a Paris como visita, acabando por comparar a vida sem sentido na cidade e a vida prazeirosa no campo.

No todo, é uma obra-prima de Eça de Queiroz, mesmo por ele ter morrido antes terminar de editar o livro, mas não deixa de ser atual. Particularmente amo a cidade grande, todavia ela não é perfeita, podendo ser hostil e deprimente. 

PS: Espero ir bem na prova deste livro! kkkkk :P

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