Conto: O Vinho de Americano

By 21:31




Breve Introdução

Escrevi este conto já faz quase três anos depois que eu assisti um documentário sobre o atentado do 11 de Setembro na escola. Talvez vocês, queridos leitores, se assustem com o tom hostil em que a narração é feita, além da pesada ironia que empreguei. Foi uma inspiração de momento, simplesmente os diálogos fluírem sem qualquer controle, do início ao final.

Vocês podem pensar o que quiserem sobre o que vai ser relatado neste conto, até mesmo que eu esteja fazendo algum tipo de acusação contra o governo americano naquela época, o que eu não deixo de confirmar. Como cidadã sul-americana, mesmo eu não tendo nenhum parente naquele atentado e nenhuma relação com os EUA, como cidadã deste planeta eu tenho o direito de levantar a minha bandeira de protesto contra aquela barbaridade. Sei que já se passou quase dez anos desde o 11 de Setembro, mas ainda hoje eu me lembro daquelas cenas macabras que eu assisti pela televisão, eu nos meus plenos sete anos de idade, já presenciando a crueldade humana. Sei que ficaria mais belo se este post fosse publicado na data de aniversário da tragédia, mas prefiro antes, pois todas essas famílias que foram destruídas precisam ser lembradas sempre, e não só no 11 de Setembro de 2001.

PS: O cartaz americano da Primeira Guerra Mundial (acima do post) não é nada irônico... #shit



O Vinho de Americano

A sala estava vazia. Só havia um homem sentado em uma poltrona de veludo vermelho, esfumaçando o cachimbo, com aquela névoa pairando e iluminando o ambiente. Em sua frente estava uma mesinha com uma garrafa de vinho ainda cheia, e dois copos.


O homem tinha uma aparência completamente diferente de um norte-americano. Usava sobre a cabeça um turbante cor púrpura, uma bata branca com linhos de ouro, e sandálias do melhor couro que se pode imaginar. O homem esperava.

A porta de madeira grossa e antiga foi aberta. O homem da poltrona se levantou e se dirigiu ao visitante que vinha em sua direção.  Este tinha o cabelo castanho com fios grisalhos, usava um terno preto bem passado, tinha olhos miúdos e profundos, sapatos bem cuidados, e um olhar penetrante. Os dois se cumprimentaram e sentaram-se.

Encheram o copo de vinho. Olharam um para o outro.

- Senhor Presidente é uma honra tê-lo em minha casa...

- Que isso meu velho amigo, fazia tempo que eu não vinha aqui. Quando eu coloquei os meus pés pela última vez nesta sala, meu pai ainda era presidente dos Estados Unidos.

- Seu pai era um grande homem, senhor presidente. Graças a ele conseguimos armamento para o nosso humilde país. Sem mencionar que nossas famílias são sócias há anos na nossa empresa...

O Presidente sentado na poltrona preta tomou um bom gole de vinho, como que as palavras do Embaixador arranhassem sua garganta.  O país estava passando por momentos difíceis.
Olhou profundamente para o Embaixador. Sabia que ele não o chamara simplesmente para tomar um gostoso vinho árabe.

- Sei o que o senhor está pensando, e é por esse motivo por que o chamei. Senhor Presidente, tem que nos proteger. Com esse ataque todos os norte-americanos começaram a nos chamar de terroristas. Mas o senhor sabe que nós não somos.

O Presidente tomou outro gole forçado de vinho. Agora a bebida estava amarga e sem gosto.

- Foi uma algo brilhante para os nossos negócios, senhor Presidente. Mas temos que tomar cuidado com a segurança de minha família; agora todos resolveram caçar talibãs. Só quero um apelo, senhor, proteja-nos e tome medidas para não levantar suspeita do senhor e de sua família.

O Presidente dos Estados Unidos da América fitou por leves segundos o Embaixador.

- Sabe que isso é arriscado. Podem descobrir tudo, Embaixador. As coisas desde o ataque vão de mal a pior. Tenho a impressão de que a cada lugar que eu vou tem um norte – americano me cobrando medidas antiterroristas.

O Embaixador olhou desdenhoso para o Presidente, encheu o copo até a boca com o vinho, tomou um enorme gole, bufou com ironia.

- Não quero saber! Você é o presidente, ganhamos muito com o ataque, mas teremos que arcar com as conseqüências. Tire-nos daqui, ou eu vou abrir a boca e contar para todo o mundo que, O Presidente dos Estados Unidos da América está ganhando bilhões com a sua empresa de Unidade de Defesa, e também nos beneficiando. Daí em diante todos vão querer sua renúncia, esqueça a Casa Branca, e o nome do Partido Republicano ficará sujo para a alegria de seus opositores. È isso o que quer Senhor Presidente?!

O tom de voz do Embaixador se elevou, apresentando de modo imperativo. O Presidente sentiu-se minúsculo, e por fim se levantou, arrumou o terno que continuava impecável e baixou o copo para a mesa. Falou com sarcasmo:

- Está bem, já que não tenho alternativa, vou atender o seu clamor desesperado...

O Embaixador levantou-se subitamente. Tinha o olhar frio e rancoroso, ficou a um palmo de distância do nariz do Presidente, bufando como um cavalo.

- Cuidado Senhor! Minha família tem muito poder sobre a América, se quiséssemos que vocês falissem, não precisaria nem de 24h00min h para isso, e tudo graças a sua família que sempre nos ajudou. Produzimos muitas riquezas aqui, damos emprego ao seu povo, e o mínimo que você pode fazer por nós neste momento difícil para o seu país é nos proteger, nos levar para casa!

O Presidente e o Embaixador continuaram se fitando, em seguida o Presidente murmurou um “Está bem” e saiu.

Antes de chegar à porta, este olhou para um jornal em cima de uma almofada árabe, onde dizia:

“Mais de 3 mil mortos no maior ataque terrorista dos últimos tempos”

O Presidente se encaminhou para a porta como se cada passo que desse, estivesse pisando em facas...

Juliana Lira

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6 comentários

  1. Gostei muito do conto, vc escreve super bem parabéns :) bjus

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  2. uauuuuu seu blog é uma gracinha e lindíssimo
    obrigada por estar me seguindo linda
    beijos flor

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  3. Olá! No momento estou apenas te seguindo, mas prometo voltar e comentar em breve suas postagens!Agradeceria se seguisse o meu blog, assim criamos um vínculo que facilite a divulgação de ambos os blogs! passa lá?
    http://medicinepractises.blogspot.com/

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  4. Muita obrigada!! =D

    E Nathacha já estou seguindo o seu blog!

    Beijos!

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  5. Eu não me surpreendi. Ta, eu me surpreendi, e muito. Com o tanto de resenhas de livros que você faz aqui, eu só poderia esperar que você seria uma leitora, e consequentemente uma ótima escritora. Mas ótima é pouco. Você é uma excelente escritora. A riqueza de detalhes que você coloca nos seus textos faz com que criemos uma imagem perfeita da situação.
    E a história é ótima. Um ponto de vista no mínimo interessante sobre os atentados.
    Ta de parabéns, de verdade. Você realmente tem 15 anos de idade? :O (Se sim é da minha idade, rs)

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  6. Atualmente eu tenho 17 anos, mas eu escrevi este conto quando eu tinha 15, rs.
    Muito obrigada pelos elogios, fiquei até vermelha agora hahaha :P

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