Dossiê #1: O que é Literatura?

By 23:06



A coluna Dossiê Literário tem por objetivo informar e divagar a respeito de qualquer assunto, como o próprio nome diz, relacionado a literatura. 
Finalmente consegui organizar as ideias e dispor de tempo para iniciar essa coluna. Estou um pouco receosa devido a não me achar a pessoa mais qualificada para destrinchar o tema Literatura. O pouco que eu sei eu irei compartilhar com vocês, leitores. Mas eu espero que também vocês se manifestem e compartilhem seus conhecimentos sobre o assunto. O intuito dessa coluna é justamente compartilharmos conhecimentos e termos uma discussão saudável sobre o assunto que é o tema principal do blog – e de muitos outros blogs por aí.

Existem tipos específicos de dossiê (ou dossier) dentre eles Político, Biográfico, entre outros assuntos. Não é o meu objetivo transformar as postagens relativas ao Dossiê Literário como um trabalho científico. Até porque o meio em que esse nosso dossiê de literatura vai ser estruturado não convém, mas todas as devidas referências e creditos a autores, livros, artigos de internet serão devidamente dados.

Ok. Dadas às devidas explicações, vamos começar!

O que é Literatura?


Se formos tentar definir de fato ou buscar um conceito de Literatura... Vamos acabar não sendo justos ou nunca chegar até mesmo em um consenso do que é e o que não é literatura.

Na verdade muitos estudiosos e especialistas discutem sobre o conceito de literatura há séculos, mas ainda sim é uma pergunta com muitas respostas.

A autora Marina Ferreira dá uma definição bem simples:

“Literatura é uma arte que usa a linguagem verbal (em especial a escrita como atesta a origem da palavra) como material expressivo” (FERREIRA, Portguês: Literatura, Gramática e Redação, 2004, p. 38)

Em seu livro de muita utilização didática nas escolas, a autora vai tentando dissecar o assunto para torná-lo de fácil compreensão para o estudante. Ela ainda acrescenta que “[...] a literatura é uma forma artísica de representação da realidade [...] Considera-se literatura como um tipo especial de linguagem verbal que se diferencia da linguagem comum”. (FERREIRA, Portguês: Literatura, Gramática e Redação, 2004, p. 28)

Mas afinal de contas, todo texto pode ser considerado literatura, até mesmo essa postagem num blog?

Estamos entrando novamente em uma discussão polêmica – mais do que já é, na verdade. A tendência para a resposta dessa pergunta é sempre não, nem todo texto pode ser considerado literatura. Porém, essa uma questão mais subjetiva do que o próprio conceito que estamos tentando buscar. Há textos que uns consideram como um texto literário, outros não. A única certeza que podemos dar é que essa própria postagem, como todas as postagens de blog/sites no geral, dependendo do conteúdo e objetivo dos mesmos, não podem ser considerados textos literários.

Por quê?

Como já mencionado, a literatura é uma arte. Isso significa que ao mesmo tempo em que tentamos definir um conceito para a mesma, estamos tentando definir o que é arte. Afinal, vamos enrolar e enrolar, entrar em outros diversos conceitos e perder o foco.

No artigo do Portal Só Literatura, logo nos primeiros tópicos há uma simples explicação do que diferencia um texto literário de outro texto qualquer:

“Segundo José de Nicola (1998:24), o que torna um texto literário é a função poética da linguagem que ‘ocorre quando a intenção do emissor está voltada para a própria mensagem, com as palavras carregadas de significado’. Além disso, Nicola enfatiza que não apenas o aspecto formal é significativo na composição de uma obra literária, como também o seu conteúdo”. (Portal Só Literatura. Disponível em <http://www.soliteratura.com.br/introducao/>. Acessado em 18 de jun. 2012).

Agora sim está mais simples o entendimento. A questão da função poética da linguagem já define um texto literário de outro.

Ou não, se a pessoa não souber o que é função poética da linguagem...

Recorrendo novamente ao livro de Marina Ferreira, encontramos a definição de função poética:

“A linguagem tem função poética quando dá ênfase na elaboração da mensagem. O emissor constrói seu texto de maneira especial realizando um cuidadoso trabalho de seleção e combinação de palavras. A função poética é muito comum nos poemas, mas ocorre também nas prosas e em anúncios publicitários”. (FERREIRA, Portguês: Literatura, Gramática e Redação, 2004, p. 32).

Então tá. Para se elaborar um texto literário é preciso ter em mente que o texto precisa de uma cuidadosa seleção de palavras para se ter um sentido na comunicação, ou seja para que o receptor, vulgo leitor, entenda a mensagem do emissor, leia-se autor.
Isso é o apenas o básico do que se pode extrair do conceito de literatura. Por enquanto, é o bastante para entendermos – mesmo que pouco – o que é essa manifestação artística.

Como uma arte, o artista intitulado de escritor/autor precisa conhecer e se aperfeiçoar com sua ferramenta de trabalho – as palavras. Desde os primórdios, romancisas, contistas, prosadores, poetas, cronistas, etc., vem buscando novas formas, novas tendências, novos jeitos de contarem seus romances, contos, prosas, poesias, crônicas...

E disso nasceu as primeiras escolas literárias.

Por fim, caros leitores, como eu já mencionei, discutir o conceito de literatura puxa tantos outros assuntos – conceito de arte, conceito de palavra, origem da escrita – que isso vai acabar virando uma monografia. Espero que esse texto tenha sido esclarecedor para nós leitores sobre a arte literária. Nada impede de nós irmos mais a fundo no assunto, buscarmos mais referências e o que os estudiosos dizem. Por hora, nos limitamos aqui.

Encerro essa divagação com um dos meus poetas favoritos, Vinicius de Moraes com o seu mais famoso Soneto de Fidelidade que é um bom exemplo de texto literário:

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure. 

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