Resenha: Auto da Compadecida - Ariano Suassuna

By 20:44 ,

Título: Auto da Compadecida
Autor: Ariano Suassuna
Ano de Publicação: 1955 / Edição de 1985
ISBN: 85-220-10
Editora: Agir
Sinopse:
O Auto da Compadecida consegue o equilíbrio perfeito entre a tradição popular e a elaboração literária ao recriar para o teatro episódios registrados na tradição popular do cordel. É uma peça teatral em forma de Auto em 3 atos, escrita em 1955 pelo autor paraibano Ariano Suassuna. Sendo um drama do Nordeste brasileiro, mescla elementos como a tradição da literatura de cordel, a comédia, traços do barroco católico brasileiro e, ainda, cultura popular e tradições religiosas. Apresenta na escrita traços de linguagem oral [demonstrando, na fala do personagem, sua classe social] e apresenta também regionalismos relativos ao Nordeste. Esta peça projetou Suassuna em todo o país e foi considerada, em 1962, por Sábato Magaldi "o texto mais popular do moderno teatro brasileiro".
Mais um enredo bastante conhecido pelo público, ainda que seja mais pelo filme do que pelo livro. A história é contada na forma de uma peça de teatro, ou seja, não há capítulos ou “pausas” na narração – exceto as expressões em itálico onde o autor usa para orientar sobre determinada cena e como pode/deve ser encenada. É praticamente um roteiro onde é mais fácil você visualiza o desenrolar dos fatos num palco do que com o que é nos apresentado do filme, que por sinal, eu gosto muito.

O autor usa e abusa do linguajar tipicamente nordestino, seja com expressões ou até mesmo com a cultura e estilo de vida dos protagonistas, todos eles pessoas comuns transformadas em personagens engraçados e um pouco caricatos. Essa caricatura do cangaceiro na figura de Severino Aracaju ou do trambiqueiro João Grilo é que torna a história muito divertida e prazerosa de ler, sem mencionar Chicó o companheiro fiel de João no sonho de se tornarem ricos e se vingarem do padeiro e de sua mulher pelos maus tratos. Nesse ínterim a figura do padre, sacristão e do bispo se manifestam numa situação hilariante de um cachorro enterrado em latim... Até o julgamento individual de cada um com a Virgem Maria, seu filho Jesus Cristo e o Diabo.

O ato final, mesmo que conservando o tom de humor, é uma cena memorável, pois mostra o outro lado dos personagens e os motivos de cada um ter agido antes de suas mortes prematuras. Uma coisa muito comum nos dias de hoje é julgarmos as atitudes das pessoas sem realmente entender ou saber os motivos dela e é isso que a Compadecida chama a atenção não só dos réus, mas também dos leitores.

A trama é muito bem costurada, simples, mas ao mesmo tempo eficaz em entreter, com uma leitura rápida e divertida.

Classificação:


  
Este livro faz parte do Desafio Literário 2013 de Fevereiro - Livros que façam rir


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2 comentários

  1. Não vi a série que passou a uns anos atrás na globo, somente alguns capítulos, mas foi muito divertida. Gostos de livros assim e se tiver uma chance o lerei.
    Abraços,
    Gisela
    @lerparadivertir
    LerparaDiverir

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  2. O livro possui uma narrativa muito gostosa de ler, Gi, e a história não deixa a desejar :)

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