Ensaio dos Vinte

By 23:23



Eu olho para as reviravoltas ao meu redor e suspiro. Sinto a frustração, o cansaço, a vontade de querer apenas fechar os olhos e deixar tudo passar, como um vento gelado que dá a segurança de ir embora algum momento. Penso e revejo: é necessário tudo isso? Todos esses obstáculos ao meu caminho? A procura do saldo positivo é penosa - muitos se esquecem de dizer isso. E quando parece que você resolveu um problema, aparece outro do nada sendo uma bomba relógio de um tempo que poderia ser de tranquilidade.




A agitação da minha vida sobrecarrega-me como uma onda violenta, cheia de altos e baixos. Sinto uma ansiedade extrema, quase um medo desesperado de me afogar na tempestade. Ponho a cabeça no travesseiro e durmo com a mente cheia de pensamentos girando como redemoinhos...

Sinto a pressão de agarrar o mundo com as mãos, de ser quem eu sou no meio do caos das personalidades fabricadas para agradar os olhos de outros; não me enquadro nesse cenário fake. Já tive esse sentimento no início da adolescência, agora voltando com toda a força da realidade esmurrando a minha cara – mais cruel, mais dolorosa, mais sofrida. Tenho a maturidade que me cabe ao meu lado, algo que eu não tinha cinco anos antes... Ou talvez eu sempre tivesse, mas nunca percebi? Não seria de total surpresa, já que as descobertas que eu faço de mim mesma a cada dia me surpreendem mais.  

Não imaginava que eu tinha um espírito quase livre; que eu colocava a minha moral acima de muitas ideologias e comportamentos;  que eu tenho uma boa persuasão, porém tenho um sério problema de insegurança; que eu tenho sangue frio, apesar de todos os sentimentos em extremo, raiva e tristeza, acabarem em lágrimas... Ou em eu escrevendo esse texto, jogando coisas aleatórias e publicando num blog para ninguém entender.

Não quero coisas óbvias demais para mim. Não tenho tanta vontade de seguir o caminho que todo mundo segue. Antes disso, eu preciso fazer algo diferente, inovador talvez, desafiante, quem sabe... Não quero estagnar minha vida num ciclo bobo e chegar à velhice com os arrependimentos da juventude. Sinto minha hora se aproximando, sinto que o auge da minha vida está próximo... Tenho receios, desconfianças e medo de sentir um desapontamento no fim. Sei que essa jornada pode ser mais solitária, mas busco encará-la. Talvez seja mal da idade querer essas coisas que aos olhos de outros é sem sentido... Mas eu quero mesmo assim. Não quero estagnar numa atividade monótona apenas para sobreviver. Meus olhos e ouvidos querem novidades, pois eu absorvo toda a realidade a minha volta como uma esponjinha e reflito sobre ela em meu interior – é daí que onde tiro as minhas histórias e as coisas que eu escrevo.

Uma pessoa-esponja cansa-se de sugar a mesma coisa por longos períodos: ela deseja algo a mais, pois ela sabe que o mundo não é pequeno como querem que ela acredite. Ela sabe também que caminhos óbvios demais irão frustrá-la mais a frente; que os bens materiais são importantes, entretanto não são tudo e nem a razão dela querer trilhar um caminho.

Ela deseja apenas mostrar o melhor de si para o mundo: seu lado mais bondoso e compassivo, sua paixão pela vida e pelo ser humano, criatura do Divino, feito pelo Criador para uma jornada brilhante. Ela deseja essa jornada, não necessariamente para ser reconhecida, mas para fazer valer a pena a vida.

Tantas preocupações, tantos desejos. E ela só tem vinte.


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