A (Difícil) Arte de Parar

By 23:01




Todo mundo alguma vez na vida vai precisar esperar. Não importa pelo o quê, como ou quando, mas irá esperar por alguma coisa ou por alguém em algum momento.

O grande problema é que nós vivemos em um mundo em que os relógios e o tempo correm contra nós e cada segundo desperdiçado pode ser uma lástima em um segundo futuro. Acumulamos tantos deveres e responsabilidades em nosso dia-a-dia que muitas vezes 24 horas não é o suficiente para tantas coisas. Recentemente eu li um texto muito interessante a respeito de não fazer nada, literalmente. 





O autor dizia que seria ótimo se todas as pessoas reservassem meia hora do dia para fazer nada - quando digo fazer nada, quero dizer ficar longe de celular, notebook, etc, apenas com você mesmo e sua consciência, como uma meditação. É possível, mas na maioria das vezes simplesmente não tentamos nos desligar do mundo e por isso não conseguimos parar. Criamos o sentimento de ansiedade por alguma coisa, o que nos torna pessoas impacientes e sem tempo no qual queremos tudo para ontem e o mais rápido o possível.

Minha geração é a que mais sofre com esse mal da ansiedade da vida urbana. Além de termos de fazer mil coisas, ainda precisamos pensar no futuro e no quanto vamos ganhar (em dinheiro) até lá ou se vamos conseguir comprar todos os lançamentos tecnológicos do mercado, entendendo a evolução e desprezando o obsoleto. 

Somos jovens demais ao mesmo tempo que somos velhos o suficiente para não perder tempo. 

Nossas vidas correm na mesma direção da entropia em que nossa sociedade e planeta está envolvido: no crescimento sem fim, sem um objetivo concreto; é crescer e crescer sem objetivo nenhum, apenas movidos pelo querer e ter. Não precisamos pensar ou refletir acerca dos problemas do mundo ou das pessoas à nossa volta - só precisamos ter certeza que temos a roupa certa para aquela festa legal e se a paquera marcará presença. Vemos o mundo correr e corremos com ele, sem entender exatamente o por quê ou se este caminho vai levar num fim benigno. 

Eu não acredito que a chave do sucesso é ter uma carreira bem sucedida ou um diploma bonito de ensino superior. Não acredito em nada material para fazer alguém feliz. O sucesso de um ser humano, na realidade, é de deixar um bem para o mundo e para o próximo, algo como um legado do que é e foi quando passou pela humanidade. Não que necessariamente você precisa virar uma figura pública famosa e reconhecida, mas se as coisas que você fez foram boas o suficientes para as pessoas lembrarem de você, isso já é o seu sucesso. Por isso que sou cristã e admiro com fervor todos os feitos de Jesus Cristo: porque ele não deixou riquezas materiais, mas sim espirituais, o suficiente para ele ser lembrado até hoje, independentemente da fe ou da religião das pessoas. 

Em algum momento iremos esperar, assim como em algum momento precisaremos parar tudo, aquietar os corações e as mentes, descer do alto da escada e sentar no primeiro degrau e refletir: estou fazendo coisas que realmente valem a pena ou estou sendo apenas mais uma peça do jogo mundano?

Sei apenas o que o meu coração diz: não quero ser como o eu-lírico da música Epitáfio dos Titãs...


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