Filme: Os Oito Odiados

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Título Original: The Hateful Eight
Gênero: Faroeste, suspense
Ano: 2015
País: EUA
Classificação: 18 anos
Status: Em cartaz
Sinopse: Durante uma nevasca, o carrasco John Ruth (Kurt Russell) está transportando uma prisioneira, a famosa Daisy Domergue (Jennifer Jason Leigh), que ele espera trocar por grande quantia de dinheiro. No caminho, os viajantes aceitam transportar o caçador de recompensas Marquis Warren (Samuel L. Jackson), que está de olho em outro tesouro, e o xerife Chris Mannix (Walton Goggins), prestes a ser empossado em sua cidade. Como as condições climáticas pioram, eles buscam abrigo no Armazém da Minnie, onde quatro outros desconhecidos estão abrigados. Aos poucos, os oito viajantes no local começam a descobrir os segredos sangrentos uns dos outros, levando a um inevitável confronto entre eles. Fonte

 Parece uma ironia da vida que o meu diretor favorito de todos os tempos cria filmes que nem de longe eu assistiria se não fosse uma obra dele - no caso de Tarantino - porque faroeste, vingança, morte, sangue e cabeças rolando não é o meu tipo de filme favorito, apesar de admirar e respeitar o gênero por toda a importância que tem para o cinema. Mas o cara faz a proeza de escrever roteiros que não ficam na violência gratuita e sem sentido no enredo como muitos filmes que infelizmente há por aí. O que é exatamente o que eu gosto em seus trabalhos, incluindo o estilo não-linear das histórias e os diálogos maravilhosos, com direito a uma reviravolta inesperada que é o caso de Os Oito Odiados. 

O suspense e mistério do enredo envolvendo os oito personagens presos em uma cabana durante uma nevasca vai se construindo aos poucos e sem pressa, criando o clime ideal de ansiedade para descobrir qual é a conspiranção e os podres envolvendo a vida deles e como será o desfecho. Não é possível torcer para nenhum personagem em particular. Não há mocinhos e bandidos, apenas personagens com interesses egoístas. Apesar disso, o carisma e a ótima atuação de Samuel L. Jackson, Kurt Russel, Walton Goggins, Jenniger Jason Leigh, Tim Roth e cia torna o longa muito mais agradável de assistir, apesar de serem odiáveis (sim eles realmente são!). A prova de que não basta apenas um bom script, a escalação do cast faz toda a diferença.

Não é o primeiro filme que assisto do diretor, então eu já entrei na sala do cinema ciente do que esperar, como o estilo old school e sem cerimônias logo no começo do filme que virou marca registrada dele. O clima de nostalgia dos filmes western spagguetti dos anos 70 é nítido logo nos primeiros minutos do longa, combinado com a maravilhosa trilha sonora de Ennio Morricone, o premiado compositor que também foi responsável pela trilha de Bastardos Inglórios (2009) e outros filmes famosos ao longo dos anos - Por um Punhado de Dólares (1964) Três Homens em Conflinto (1966) e Os Intocáveis (1987) para citar alguns -  aliás Os Intocáveis eu já assisti e recomedo!  

É impossível de não se lembrar de Django Livre (2012) por ambas as histórias se passarem quase na mesma época após a Guerra Civil Americana. A diferença é que Django é basicamente um herói, enquanto que em Os Oito Odiados temos um grupo de caçadores de recompensas, um mexicano e um xerife em um bar - soa quase como um enredo de RPG :P. Mesmo com muitos personagens, cada um é introduzido e tem seu momento no longa para o expectador conhecê-los melhor, sem pressa nenhuma. O clímax porém é realmente o ponto alto da história, que se torna um verdadeiro banho de sangue, quase um filme de horror.

Os diálogos são carregados de alfinetadas à sociedade americana pós-guerra, principalmente em relação a questão racial nos EUA na época (que vamos combinar, não mudou muita coisa na modernidade) e também os conflitos sociais e culturais dentro do país, com direito até uma referência à polêmica da imigração mexicana sem soar como uma lição de moral ou um patrotismo barato, muito longe disso. 

Dos filmes que eu já vi de Tarantino não considero este o melhor do diretor em questão de narrativa e criatividade, mas é maduro e bem dirigido, com uma fotografia bélissma e ótimas tomadas de câmera. E sim, o filme é divertido apesar do enredo pesado e do começo um pouco arrastado, tudo por conta da forma como Tarantino lida com a história e brinca com as expectativas de quem assiste. 

Não recomendo para quem tem estômago muito fraco e quem se ofende facilmente, ou quem não gosta de muitos palavrões em único filme (#lol) pois isso já é de praxe para quem acompanha os trabalhos do diretor, porém se você curte um bom western com diálogos afiados e uma história que surpreende no final, vale muito a pena. 



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