Resenha: Toda Luz que Não Podemos Ver - Anthony Doerr

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Título original: All The Lights We Cannot See
Autor: Anthony Doerr
Ano de publicação: 2014
Editora: Intríseca
ISBN: 9788580576979
Sinopse: Marie-Laure vive em Paris, perto do Museu de História Natural, onde seu pai é o chaveiro responsável por cuidar de milhares de fechaduras. Quando a menina fica cega, aos seis anos, o pai constrói uma maquete em miniatura do bairro onde moram para que ela seja capaz de memorizar os caminhos. Na ocupação nazista em Paris, pai e filha fogem para a cidade de Saint-Malo e levam consigo o que talvez seja o mais valioso tesouro do museu. Em uma região de minas na Alemanha, o órfão Werner cresce com a irmã mais nova, encantado pelo rádio que certo dia encontram em uma pilha de lixo. Com a prática, acaba se tornando especialista no aparelho, talento que lhe vale uma vaga em uma escola nazista e, logo depois, uma missão especial: descobrir a fonte das transmissões de rádio responsáveis pela chegada dos Aliados na Normandia. Cada vez mais consciente dos custos humanos de seu trabalho, o rapaz é enviado então para Saint-Malo, onde seu caminho cruza o de Marie-Laure, enquanto ambos tentam sobreviver à Segunda Guerra Mundial.Uma história arrebatadora contada de forma fascinante. Com incrível habilidade para combinar lirismo e uma observação atenta dos horrores da guerra, o premiado autor Anthony Doerr constrói, em Toda luz que não podemos ver, um tocante romance sobre o que há além do mundo visível.

Tocante. Sensível. Doloroso. Se alguém me pedisse para definir este romance em três palavras, seriam essas que eu escolheria. É incrível você iniciar um livro sem nenhuma expectativa e apenas porque a sinopse chamou a atenção quando o peguei na livraria, e se surpreender de tal forma que acaba virando um dos seus livros favoritos!  Por isso que sempre que eu gosto demais de um livro, escrever a resenha é mais difícil rs.

Toda Luz que Não Podemos Ver segue um padrão de narrativa e divisão de história que até então eu não conhecia, mas que deixa o enredo com um ritmo bom e fluído de tal forma que quando você menos percebe, já passou da metade da história. Não somente isso, mas o flashbacks do presente da narrativa no começo de cada capítulo casando com os fatos do passado narrados nos pequenos capítulos seguintes, traz uma expectativa e ansiedade para os acontecimentos que deixa até sem ar. 

Eu já li dois romances ambientados na Segunda Guerra Mundial, sendo eles A Menina que Roubava Livros (Markus Zusak) e O Diário de Anne Frank que eu acredito que todos já conheçam ou ouviram falar. Os dois me emocionaram muito, principalmente o primeiro com suas reviravoltas surpreendentes e personagens marcantes. Dentre eles destaco o meu personagem favorito, Max Vandenburg. Com Toda Luz que Não Podemos Ver, me apaixonei por todos os personagens principais, em especial a protagonista Marie-Laure LeBlanc e Werner Pfennig, uma garota francesa cega e um jovem alemão apaixonado por rádios, os dois de certa forma um casal.  

A história é um quase um Romeu e Julieta, porém mais trágico e triste em vários pontos. Werner me lembrou de como eu sofri pelo Max e claro, sofri novamente pelo destino do garoto - problema de amar tanto um personagem. Os dois têm esse paralelo para mim não só porque são alemães, mas também pela história de vida e ideiais como pessoas. São sonhadores, porém não têm controle sobre a própria vida, assim como Marie-Laure que sonha com a vida antiga e assim como a dócil Liesel Meminger. 

Eu tenho fraqueza com personagens masculinos que possuem uma candura e carisma próprios que para mim é imposspivel não amá-los. Com personagens femininas basta apenas um ou dois capítulos para amá-las (ou odiá-las rs), mas com os masculinos eu demoro mais, porém quando eu menos percebo já estou amando e torcendo por ele(s). Por isso que Werner e o Max são especiais para mim, porque além de serem bem construídos, não há malícia, possuem uma curiosidade adorável e uma inteligência incrível e são imperfeitos cada um à sua maneira. Comparações à parte, obviamente os dois livros são histórias diferentes e não há nada de negativo sobre esses paralelos entre ambos, pelo contrário. 

A narrativa de Toda Luz que Não Podemos Ver segue de um lirismo, de uma poesia que eu como aspirante a escritora desejo um dia ser capaz de alcançar, um estilo único e próprio como Doerr demonstra. A guerra, a violência, as dores de quem morre e o sofrimento dos que vivem são carregados de doçura nas palavras do narrador que são entorpecentes. Não foi à toa que eu basicamente engoli os últimos capítulos de um dia para o outro e terminei de ler com um sensação de vazio e perda. 

Com personagens maravilhosos e um enrendo marcante, Toda Luz que Não Podemos Ver não se torna apenas mais um romance sobre Segunda Guerra, mas um dos mais essenciais para os fãs do tema que gostam de sensibilidade e humanidade em um fato histórico marcado por brutalidades desumanas. 




Ps: Enquanto eu lia, essa canção do Leornado Cohen na voz do maravilhoso Jeff Buckley marcou o período de leitura. Então termino esta resenha com Hallelujah ;)




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