[Lendo Shakespeare] Otelo - O Mouro de Veneza

By 20:33 , , , , ,


"Certos conceitos são por natureza verdadeiros venenos que, de início, não provocam nenhuma repugnância, mas logo que no sangue atuam queimam como mina de enxofre"


Otelo - Ato III, Cena III 


Finalmente o projeto de leitura #LendoShakespeare deu largada no blog! Pretendo ler uma peça por mês, alternando entre tragédia e comédia - pena que não têm as históricas, mas posso deixar mais frente porque são muitas rs. Escolhi Otelo para iniciar por ser uma obra que eu não tive nenhum contato, ao contrário das outras obras do Bardo. 

A história é considerada tragédia assim como Hamlet e Macbeth pelo teor melancólico e cruel no final. É centrado em Otelo que é general a serviço de Veneza de grande reputação e respeito. A peculiaridade do personagem é pelo fato dele ser mouro e muito mais velho do que os outros homens de poder da cidade, mas sua boa alma cativa a belíssima Desdêmona, causando inveja e destruição por parte de Iago - alferes de Otelo - que arma um plano diabólico para destruir o casamento e a reputação do protagonista.

O que permeia em toda a peça é inveja e o ciúmes. Há também o racismo contra o personagem, mas isso acabou em segundo plano comparado com os outros dois por estes serem as motivações maiores do maquiavélico Iago. Com simples palavras ele consegue envenenar o coração de Otelo contra Desdêmona causando um grande mal entendido a custo de muito sangue.

Shakespeare tinha essa habilidade de tratar de temas universais em suas obras, seja sentimentos bons e ruins. O ciúme e a fraqueza de espírito de Otelo, seguido pela vingança, corrompe seu coração bondoso da mesma forma que aconteceu com Hamlet. A diferença era que Hamlet tinha razões até perdoáveis para seus atos, já Otelo não. Tudo foi baseado em mentiras e calúnias, o suficiente para ele perder a compaixão e até mesmo o amor puro por Desdêmona até a morte. 

Iago usa Cássio - capitão leal de Otelo - Rodrigo e até mesmo a própria esposa Emília que era empregada de Desdêmona, para arquitetar o plano e durante a leitura eu fiquei frustrada por ninguém suspeitar que havia alguma coisa errada acontecendo. Mais do que isso, o final choca de tal forma que até dá um gosto amargo na boca. 

Emília sem querer vira uma heroína mesmo que tarde, e os meus sentimentos pelo personagem Otelo ficaram bem conflituosos: de um lado tive pena dele, porém pelo outro tive raiva pela falta de confiança que tinha em si mesmo a ponto de acreditar nas calúnias de Iago sobre Desdêmona. Esta por sua vez foi a que eu realmente senti muita pena, por ser uma mulher tão piedosa e fiel ao esposo e completamente inocente - é de partir o coração.

O ciúmes e o veneno da inveja destroi a vida de quase todos os personagens em Otelo, mostrando assim o quão longe as pessoas podem ir para se vingarem. Não é uma leitura fácil de digerir, mas vale a pena - afinal, é o Bardo ;)




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