[Projetor] The Crown - 1ª Temporada

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Uma mulher simples que apenas desejava levar uma vida tranquila com o marido e os dois filhos, vê a sua vida fora do próprio controle após a morte do pai, o rei George VI. 

Elizabeth Windsor, primogênita da família, herda o trono do Reino Unido em 1952 em meio a uma nação ainda traumatizada pela guerra. O maior desafio, porém, são os conflitos internos da própria família que a colocam entre uma difícil escolha: obedecer a coroa que carrega ou ceder às próprias vontades.  

The Crown foi uma série que me surpreendeu de forma muito positiva depois que eu assisti a primeira temporada disponível na Netflix. Eu tinha acabo de ver a produção da ITV Victoria estrelando a Jenna Coleman e por mais que eu tenha gostado, The Crown é muito superior em questão de dramas e conflitos da família real.

É bem verdade que a família real britânica desperta a curiosidade e fascínio em muita gente - inclusive eu mesma, nunca neguei. Talvez seja pelo escrutínio midíatico no último século, talvez seja porque é difícil imaginar em um mundo em que a república tomou conta e a monarquia foi deixada de lado, taxada como algo antiquado e não muito "moderno", como vive e qual é o papel de um monarca em meio a todo esses pormenores. 

O que a série deixa claro desde o início até o último episódio dessa primeira temporada é que carregar a coroa é um peso e um fardo, às vezes grande demais para qualquer pessoa. Exemplo disso é Edward Windsor, tio de Elizabeth (Claire Foy) que abdicou do trono para se casar com uma mulher divorciada - algo que a Igreja Anglicana não permite - passando a coroa para o irmão Albert (Jared Harris). 


O que a jovem rainha não esperava era que os maiores desafios que enfretaria viriam da própria família. Um dos momentos marcantes da série é quando sua avó a rainha Mary, escreve uma carta dizendo e aconselhando a ela que a partir daquele momento da ascensão ao trono, Elizabeth deveria morrer e que no seu lugar deveria se encontrar a Rainha Elizabeth II. Um monarca está sempre divido em dois, entre o seu dever para com Deus e seu país e suas atitudes como ser humano para aqueles que são próximos. 

Essa abordagem da monarquia em uma série televisa para mim é completamente nova, pois em filmes é mais comum mostrarem o quanto a vida de um monarca é fácil e etc., e The Crown merece mérito por aprofundar a questão e retratar que há muito mais pedras no caminho de um rei ou rainha do que diamantes e cetim. 

Antes de subir ao trono, Elizabeth mantinha um relacionamento saudável com o marido Philip (Matt Smith) mas aos poucos o casamento dos dois se deteriora entrando numa verdadeira crise pelas responsabilidades que Elizabeth como rainha deve cumprir, além do fato de Philip não poder continuar exercendo a função na Marinha para o descontentamento dele. Elizabeth tenta de algumas formas acalmar o marido inquieto, porém sempre falha. 

É compreensível o ressentimento de Philip, mesmo que muitas vezes durante a série, eu senti raiva dele e achei que ele estava sendo muito injusto e tornando a vida da esposa, que já não era fácil, muito mais difícil de forma desnecessária. Eu espero que na próxima temporada essa tensão entre os dois se resolva de uma vez e que pelo menos eles consigam chegar em um acordo. 

Porém não foram poucas às vezes que Philip foi aconselhado a apoiar e ajudar Elizabeth como marido da rainha - o que falta é ele entender isso de uma vez, afinal não é essa a razão de um casamento? Marido e mulher se apoiaram independente da situação?

Outra personagem que foi um calo para Elizabeth foi a própria irmã Margaret e o possível casamento dela com o capitão Peter Townsend, um homem que acabou de sair de um divórcio. Mesmo com o apoio popular sobre o relacionamento, o mesmo não deixava de ser escandaloso e polêmico para a época. As duas irmãs, que antes deixavam suas diferenças debaixo do tapete, se vêem numa rivalidade sem fim, em especial da parte de Margaret. 

Houve momentos que eu achei que Margaret estava sendo muito mimada, querendo dobrar a irmã ao meio e colocar o reinado dela em risco descumprindo a lei apenas fazer a vontade dela - assim como Philip, Margaret não entende de fato as implicações da coroa e se esquece que ela, assim como Elizabeth, não é uma mulher comum que pode escolher casar com quiser quando bem entender. 


O drama familiar ganha mais destaque ao decorrer da série e Elizabeth aos poucos vai compreendendo todas as implicações de seu cargo - que a coroa está acima de sua família e o amor que sente por ela. 

É cruel e triste, mas se o reinado dela dura até hoje quase que intacto - mesmo com todos os escândalos nos anos 90 e a queda da popularidade dela nessa década - não é possível julgar as atitudes da rainha como certas ou erradas. Ela estava apenas cumprindo seu dever e é assim que deve ser, gostando ou não.

Tenho que mencionar a atuação maravilhosa de John Lithgow no papel do Primeiro Ministro Winston Churchill, já no fim de sua era de liderar a Inglaterra, mas ainda sim sofrendo ataques de todos os lados, inclusive do próprio Gabinete para que renuncie. Apesar de movido pelo orgulho em continuar, percebe-se que Churchill queria transformar a rainha Elizabeth em uma monarca completa antes de se aposentar e o relacionamento dos dois foi um dos melhores momentos da série. 

Com figurinos e trilha sonora marcantes e cenários maravilhosos, The Crown entrou para a minha lista de séries favoritas e mal possso esperar para a segunda temporada em 2017. 

A série recebeu três indicações ao Globo de Ouro 2017, premiação que ocorre no próximo dia 08 de janeiro em três categorias: Melhor Atriz em Série de Drama para Claire Foy, Melhor Ator Coadjuvante em Série de Drama para John Lithgow e Melhor Série de Drama. Fico aqui na torcida para a produção pelo menos levar uma estatueta :)




Título: The Crown
Canal: Netflix 
Gênero: Drama
Ano: 2016
Produção: Stephen Daldry e Andrew Eaton
Roteiro: Peter Morgan, Tom Edge
Episódios: 10 (50 min)

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