[Resenha] The Secret Garden - Frances Hodgson Burnett

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Contém spoilers

Mary Lennox é uma garota insuportável. Após a morte catastrófica de seus pais, a garota deixa a Índia e volta para a Inglaterra para viver com seu tio, Mr. Craven em Misselthwaite, Yorkshire, este um homem atormentado pelo passado. Sozinha e abandonada pela família, Mary é acostumada a se importar somente consigo mesma e seus caprichos. Porém os segredos de Misselthwaite, incluindo um misterioso jardim trancado por dez anos, desperta na garota grande curiosidade que irá mudar sua vida para sempre.

Publicado em 1911 na Inglaterra, O Jardim Secreto (The Secret Garden) da inglesa Frances Hodgson Burnett é considerado um dos romances infanto-juvenis mais importantes da literatura do século XX, reconhecimento que veio somente póstumo à morte da autora em 1924.

O romance é divido em duas grandes partes: na primeira parte a autora narra os fatos pelo ponto de vista de Mary, incluindo sua consciência, emoções e pensamentos mais profundos a respeito das pessoas dos quais terá que conviver em Misselthwaite e as peculiaridades das mesmas, principalmente em relação a Dickon – importante personagem da trama – um garoto encantador que vira seu amigo no meio do livro e Ben Weatherstaff, o jardineiro.

O mistério do jardim trancado torna-se a obsessão de Mary e um propósito tão forte na menina que com sua eventual descoberta, mudanças profundas acontecem na garota a ponto dela passa a ver a vida e as pessoas com verdadeira compaixão e humanidade.

A metáfora do despertar para a vida pelo jardim secreto se concretiza de forma plena no segundo protagonista da história que toma as rédeas da narrativa até o fim, o impetuoso Colin Craven, primo da garota e filho de Mr. Craven. 

Órfão de mãe e abandonado pelo pai e trancado no próprio quarto por ser julgado doente, o menino acredita piamente que é um aleijado e que morrerá em breve. Cheio de birras e excessos de raiva, o encontro de ambos é um dos melhores momentos do livro, pois mostra a Mary tal como ela era como pessoa quando chegou a casa.


Se Mary tomou consciência de si mesma e das pessoas ao seu redor, o despertar de Colin quando é apresentado ao jardim com a amizade da prima e de Dickon é mais arrebatador e profundo. O sentido da vida é essencial para o ser humano para lhe dar um norte, pois sem essa bússola que o conduzirá até o final, não é de se estranhar que muitos se percam o curso da própria vida, acarretando até mesmo em doenças como no caso de Colin.

Contudo a mudança no garoto é tão profunda que é como se ele nascesse novamente. Sem saber a quem agradecer pelo milagre, sua simples razão lhe dizia para agradecer a Mágica do jardim tal como ele chamava, que não só o curou de ficar aleijado, mas também curou a sua alma – mágica esta que ele descobre mais tarde vir de um Criador, e a busca por Ele passa a ser o sentido da sua vida dali em diante.

Dickon é um personagem fácil de gostar logo de cara por ser uma criança adorável e brincalhona, ele sendo um espelho do que Mary e Colin se tornam no final do livro. De crianças birrentas, infelizes e sozinhas, é com frescor que vemos os três sendo o que são verdadeiramente: crianças que brincam, que contam piadas e que riem, ou sejam, felizes. 

Este renascer afeta toda a família Craven que estava divida pela dor e pelo remorso, salvando-a de um destino melancólico. Nada mais belo este milagre vir de três crianças nas suas simplicidades de vocabulário e sentimentos, sábias o suficiente para apreciar os mistérios da existência que os adultos não conseguem entender. 

A narrativa perde o tom sombrio do começo do romance e no fim é quase como se estivéssemos lendo uma outra história, pois é grande a diferença de sentimento e uso da cadência, ou seja, o ritmo das palavras colocado pela autora que é lírico e suave como uma brisa. 

A linguagem musical de todo o livro desperta no leitor o convite de agradecer pelo mistério da vida aos olhos de Mary, Colin e Dickon que souberam apreciá-la como um verdadeiro presente. Não é possível compreender estes mistérios completamente – e jamais o faremos em nossa condição humana – mas no final de O Jardim de Secreto as crianças mostram que é sempre possível mudar o rumo da sua história para um enredo melhor. 

Algumas considerações sobre o inglês da obra:

Para quem já está em um bom estágio, no nível intermediário para avançando, não será problema a leitura. Porém por se tratar de um livro do começo do século passado, o inglês é mais arcaico e a autora usa muitos fonemas na escrita para denotar o sotaque de Yorkshire, o que pode atrapalhar a compreensão de alguns diálogos. 


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