[Resenha] Paris é uma Festa - Ernest Hemingway

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Hemingway é um dos diversos autores que zumbia nos meus ouvidos nos últimos tempos enquanto eu procurava livros para inserir nas minhas listas de leitura. Porém a oportunidade só veio agora depois dele ser escolhido como leitura do Clube do Livro de Junho do blog A Vida Humana..

Paris é um Festa é um livro de memórias biográficas do escritor durante os anos 20 enquanto viveu e conviveu em Paris com diversos outros artistas dentre eles escritores famosos como Ezra Pound, Gertrude Stein e F. Scott Fietzgerald. 

O olhar de Hemingway sobre os seus colegas escritores acaba por humanizá-los a tal ponto desses grandes nomes da literatura se tornaram também personagens cheios de suas peculiaridades, incluindo qualidades e defeitos. Destaco em especial o relacionamento de Hemingway com o Fietzgerald  - autor de O Grande Gatsby (1922) - que rendeu momentos cômicos no final da obra.

Hemingway possui um estilo narrativo de ser objetivo na mensagem deseja passar ao leitor sem floreios ou lirismo das escolas literárias românticas anteriores a ele. Isso porém não perde a beleza e a poesia de sua forma de escrita que flui entre as páginas ao descrever a sua Paris, cheia de cores, sons e garrafas de champagne, enquanto ele se dedicava aos seus contos para conseguir sobreviver neste mundo tão diferente dos EUA, sua terra natal.

É interessante notar que o narrador-personagem coloca uma ênfase em dois coisas nesses anos narrados em suas memórias: a pobreza que se encontrava e a dificuldade dele como escritor em esboçar um romance completo, o que irá culminar no final de Paris é uma Festa junto com outros acontecimentos que mudará a vida de Hemingway para sempre. 

A obra em si mesma é um testemunho de um escritor em um ponto de transição de sua vida que ainda não havia atingido o clímax, mas que se encaminhava para ele nestes anos narrados em Paris. Hemingway é muitas vezes modesto em relação a sua obra e posição como escritor quando se comparava a um de seus colegas. Até pode se afirmar que ele não achava que conseguiria produzir uma grande obra e nos dá a entender que ele acreditava que morreria esquecido. 

O livro possui um clima nostálgico e saudosista de uma época que não irá mais voltar, de um tempo que ficou gravado em memórias e fotografias em preto e branco quando a arte ainda possuía um valor moral e belo para alguns homens e mulheres, em um período conturbado da história como foi o sangrento século XX. Todo esse cenário entre guerras e arte irá influenciar os romances de Hemingway como O Velho e o Mar (1952), o citado no livro O Sol Também se Levanta (1926) e Por que os Sinos Dobram (1940).

Este mundo de pintores e escritores bebendo e convivendo juntos meio que sem querer, cada um buscando à sua maneira fazer sua arte é o que fascina Hemingway que por consequência fascina também o leitor. Não é possível dizer que tudo narrado por ele realmente aconteceu ou tudo é ficção, como diz no primeiro capítulo do livro. Pode se dizer que o livro é ambas as coisas misturadas entre ficção e realidade que se completam de fatos que poderiam terem sido completamente esquecidos. 

As memórias do autor nos jogam uma luz para não somente entender seu legado, mas também para conhecermos o homem por trás das palavras. Paris já deixou de ser uma festa há muito tempo, porém seus momentos de glória estão gravados nestas memórias de Ernest Hemingway para sempre no qual ele mesmo diz, foram anos que foi muito pobre porém feliz. 


Tìtulo: A Moveable Feast
Autor: Ernest Hemingway
Editora: Bertrand Brasil
Nº de páginas: 252
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