[Cotidiano] O papel de Shakespeare na minha formação pessoal

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Fonte: Tumblr

Eu prometi este texto há bastante tempo, desde o início do projeto #LendoShakespeare aqui no blog - que eu prometo dar continuidade. Então acho que agora é o momento de compartilhar alguns breves comentários de como a obra do Bardo Inglês influenciou não somente a minha formação literária, mas também minha formação como ser humano.

Não diria que possuo vanglórias ou histórias extraordinárias de um insight, porém me considero sim uma pessoa sortuda por ter crescido lendo literatura de qualidade, desde os livros juvenis até os clássicos. Isso se deve por incentivo familiar desde cedo e pela excelente biblioteca pública no qual frequentei por anos próxima à minha casa, onde peguei diversos livros emprestados durante os anos de escola.

Na época eu tinha entre 14 e 15 anos quando peguei Romeu e Julieta para ler pela primeira vez. Não era, pois, uma versão adaptada para nossa linguagem de hoje, mas sim o texto integral. O mesmo se seguiu com Macbeth, O Rei Lear e Hamlet, que já naqueles anos se tornou minha obra shakesperiana favorita. Das tragédias se seguiram as comédias Sonho de Uma Noite de Verão, A Megera Domada, O Mercador de Veneza e a "dramédia" A Tempestade, minha segunda peça favorita do Bardo. 

Li também na mesma época diversos sonetos acompanhados de um conto intrigante e divertidíssimo do irlandês Oscar Wilde que tem Shakespeare e a misteriosa dedicatória de um dos seus diversos sonetos como tema central, o conto O Retrato do Sr. W.H. Se vocês acham que somente os fãs de Game of Thrones que escrevem teorias mirabolantes sobre a série, vocês não viram nada do que o Oscar Wilde faz neste conto rs!

Sem dúvidas as peças shakesperianas foram (e ainda são) as leituras mais desafiadoras que já fiz, que apesar de eu não ter compreendido com total clareza os dramas dos personagens retratados e todas as suas nuances por ser muito jovem, eu já identifiquei nas peças experiências humanas muito superiores a qualquer uma que eu já tinha vivido e já vivi. Foi com Shakespeare que eu percebi a força que um personagem (pessoa) possui em uma história (vida) e como suas ações podem influenciar diversas outras personagens, seja decisões com benevolência, seja com destruição.

Essa pequena observação foi o suficiente para eu perceber que algumas pessoas de carne e osso também podem ser como as personagens das tragédias shakesperianas: implacáveis, destruidoras e egoístas, que vão até o fim de seus propósitos, arrastando tudo e todos pela frente, e somente param para perceber o estado de loucura que se encontram quando já é muito tarde para voltar atrás. Melhor exemplo do que isso é o próprio Hamlet que fascinou e me fascina até hoje por seu peso como personagem que carrega o mundo inteiro nos ombros - porém vou deixar meus comentários sobre esta peça em particular para outro post.

Shakespeare me apresentou essa realidade do peso do caráter humano de uma forma que eu jamais teria sabido ou aprendido por mim mesma e na minha simples vida. Abri de fato, os olhos para as pessoas ao meu redor, para os seus lados benevolentes e também sombrios, para suas fraquezas e forças, algo que eu sou eternamente grata ao Bardo de Stratford-upon-Avon. 



Recomendo:

Oito Palpites sobre as Tragédias e algo sobre o Sofrimento Humano por Fernando Simões. 

- Olá, Bill Shakespeare! por Dionisius Amendola

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