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Do Riso das Nossas Banalidades Juvenis

by - quarta-feira, fevereiro 21, 2018


Esse texto nasceu por acaso depois de uma reflexão que fiz no meu Twitter pessoal sobre as coisas mundanas que adolescentes e jovens gostam de gastar tempo. Isso aconteceu depois de eu ter revirado minhas coisas e visto a discografia inteira do Muse por lá - incluindo até um DVD raro de achar. 

Para quem ficou preso numa caverna nos últimos cinco anos, o Muse é uma banda britânica de rock alternativo formada em 1993, mas que só ficou famosa por aqui após o Rock in Rio de 2013. Em fim, eu já falei bastante deles aqui no blog há alguns anos referente justamente aos álbuns de estúdio quando eu era mega fã do trio de Devon. Hoje não sou mais aquela fã, mas ainda sim gosto muito do material antigo da banda e tenho carinho por diversas músicas que marcaram minha adolescência e início da fase adulta.

No entanto, o Muse foi só uma das diversas fases e "obsessões" na minha vida. Até chegar neles houveram diversas, algumas tão vergonha alheia que eu prefiro não citar para evitar que eu core mais do que eu já fico embaraçada só de lembrar. Não é pois, um embaraço de arrependimento. Não, ainda não cheguei nesse estágio da vida de olhar para trás com amargura, mesmo que às vezes eu tenha esse sentimento por algumas caneladas que cometi. 

Essas caneladas foram passíveis de remédio, assim como fico contente pelos acertos. É importante quando se deseja tomar posse de si, saber quem você é, revisitar o passado com a sua ótica atual. Não é querer viver de novo o que já aconteceu num eterno ciclo nostálgico, mas também não se deve ignorar os eus passados como se a sua biografia já estivesse fechada e concluída. Goste ou não, ela só será terminada no dia da morte. 

É, pois é. 

Sendo assim, o passado ainda ecoa no presente e se você ignorá-lo, como você quer se conhecer? 

Os anos de adolescência é um capítulo muito importante da nossa história. O que gostávamos e não gostávamos, o que ouvíamos, o que assistíamos, as amizades, os namoros, tudo isso é uma bagagem que você terá de carregar quando chegar nos primeiros anos da fase adulta. 

Chegando lá, terá que lidar com responsabilidades tão banais quanto pagar contas, procurar um emprego e se formar. E outras responsabilidades bem mais sérias como casamento ou a falta dele para outras escolhas de estilo de vida. Até lá, o sujeito precisa passar por essa fase maluca, cheia de altos e baixos chamada puberdade.

Revirando minhas tralhas, dei de cara com diversas coisas que hoje jamais eu teria perdido meu tempo, porém foram importantes para mim em um ponto da minha vida. Várias dessas coisas me arrancaram risos e balanços de cabeça, pela minha ingenuidade e bobeiras. Olho para trás e agradeço por ter passado por tudo isso o mais intacta possível, agora mais preparada para atingir a maturidade.

Está na moda, e com razão, as críticas aos jovens, desde aqueles que nasceram nos anos 90 até os mais recentes nascidos no início dos anos 2000. Bem verdade que o comportamento num todo dessa minha geração é questionável, ainda mais se você usa bastante as redes sociais. 

O que é estranho nisso tudo e eu diria até triste, é que toda a energia juvenil que deveria ser direcionada para as amizades, os gostos em comum - mesmo péssimos, veja bem - as panelinhas, etc., está virando (e já virou antes) uma verdadeira revolta em níveis tribais na perspectiva de que irão "mudar a sociedade". Isso não é novo, é só observar os movimentos de "contra cultura" dos anos 60, 70 e comecinho dos anos 80 que esse pensamento que o jovem salvará o mundo nos persegue ainda hoje como uma praga de gafanhotos.

Todo mundo já foi um revoltadinho leite com pêra que dependia da mesada dos pais para pagar os "rolês". Ou então gastava muito tempo montando seu perfil no Orkut com as frases mais clichês e ridículas sobre si mesmo (a), mas que você se sentia ótimo colocando-as lá na sua descrição. E podemos ir ainda longe citando o estilo de roupas - usei muito preto uns anos aí - o corte de cabelo e outros adereços para tentar dizer a si mesmo e as outros que se tem "personalidade". Tanta personalidade, que há mil Sid Vicious e Avril Lavignes andando por aí até hoje...

Tudo isso à primeira vista para quem já passou por isso, pode ser muito ruim. A galerinha mais puritana que descobriu a filosofia, por exemplo, ignora seu próprio passado tenebroso e gosta de ter um dedo em riste quando vê um outro jovem ainda nessa fase de transição. Verdade, muitos nunca saem desse período de incubação e chegam aos 40 achando que tem 18, contudo a maioria evolui - para pior ou melhor - mais cedo ou mais tarde e dá de cara com a linda realidade.

Essa maluquice toda que se vive dos 14 até mais ou menos os 20 diria que é necessária em um primeiro contato do indivíduo com o mundo. Não espere grandes coisas de quem ainda não passou desse período, o que se deve ter é paciência. Pode ter exceções, mas no mundo de hoje isso é difícil. 

O estranho e o bizarro é se o dito cujo (a) tenta camuflar suas banalidades juvenis em um discurso pueril de escolhas reais que ele (a) não tem noção ainda do que é, mas fala como se fosse uma autoridade sobre. Falo de escolhas muito sérias, que requer alguns anos de reflexão, decepções e até algumas lágrimas. 

Jovens sério demais, convicto demais, seguro demais é receita para o desastre no futuro, tenho quase certeza disso. Ninguém é seguro de si, sabe o que deseja para a própria vida com aos 18 - pode ter uma noção, uma base ou alvo - mas saber como atingir este alvo já é outra história. E o pior, este objetivo pode mudar, quem disse que não? Sou prova viva disso.

Preste bem atenção, leitor, eu não estou dizendo que essa galera hormônios ambulante tem que fazer o que der na telha, ter todo o tipo de experiência que irá prejudicar seu futuro para ser maduro. Não é nada disso. É o equilíbrio entre não ser uma criançona, mas também não querer se comportar que nem velho achando que tem a experiência de um, como eu vejo em alguns meios por aí. 

É ter o bom senso de viver bem esta fase de transição, sem querer dar passos maiores do que a perna ou regredir cinco casas no jogo da vida. Acho que isso também é válido para quem já passou dos 20, em menores proporções, óbvio.

Por isso, não desprezo ou torço o nariz para as minhas banalidades juvenis do passado e de agora como muitos fazem. Que graça vou ter quando ficar velha e olhar para a minha juventude e não ter nada para rir? Do que eu irei dar risada se eu não tivesse a discografia do Muse como recordação de quando eu era maluca pela banda? Ou de quando eu era gótica/emo no fim do Fundamental com as roupas bizarras que usei? 

Que graça terei eu quando ficar velha e não ter as baboseiras que escrevi por aí para dar umas gargalhadas? Não deixarei nenhum "legado" dos meus anos juvenis entre o sabático e da descoberta do mundo, entre as bizarrices e vergonhas alheias?

Afinal de contas, somente nós mesmos conseguimos rir de nós com maestria e vontade. Os outros até podem nos acompanhar, mas somente nós mesmos sabemos o que pensávamos em tais épocas. Hoje gosto de diversas coisas, que talvez quando eu chegar aos 50 eu vou me questionar por que raios eu gostei de x coisa aos 24. 

Entre banalidades aqui e e ali, no decorrer dos anos juvenis, é que descobrimos quem nós éramos e somos no presente. Por isso, acredito que se deve viver muito bem essa fase, ter boas recordações e deixar que a vida mostre que está na hora de crescer. Com esse crescimento, olhamos para trás e que bom para aqueles que terão algo para rir e sorrir.




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